A BASÍLICA: ORGANIZAÇÃO GERAL

 
  •  A basílica civil: A basílica civil tinha em sua origem, sala de recepção para todas as funções públicas do monarca helenístico, parte fundamental de seus palácios: daí o nome de Basilicos (real). Em Roma, porém, foi lugar de comércio e administração de justiça. Justificativa: A basílica carece de toda simbologia pagã e possui, além disso, a tradição de grande casa real, dos elementos que deveram ser gratamente considerados por aqueles cristãos que deviam construir os novos lugares de reunião da Igreja. Mas, além disso, e o que é muito importante, a organização arquitetônica de tal edifício se adaptava perfeitamente às novas necessidades: um grande espaço coberto e amplamente iluminado com duas zonas claramente diferenciadas: aquela do “basileos” ou da administração de justiça –a exedra -, e a destinada ao povo –ou ao comércio -: as naves. Todos estes edifícios – e nada mais que estes – foram os que conheceram o arquiteto que se propôs edificar uma organização que servisse às necessidades do culto, o ensino, etc., do primitivo cristianismo. Não é de estranhar, pois, que a basílica fosse escolhida como elemento básico do novo projeto, mas não o único. Outros elementos lhe serão fornecidos pelos outros edifícios. 
  •  Elementos da Basílica Para maior claridade e compreensão da nomenclatura formal da Basílica parece conveniente descrever, de forma muito sumária, os elementos de uma basílica ideal, seguramente em nenhum exemplo real existente; o conhecimento desta disposição teórica permitirá, segundo a carência ou especial disposição de algumas de suas zonas, uma ulterior classificação dos complexos basilicais e facilitará a descrição dos mesmos.
ÁTRIO: pátio com pórticos pelo qual se entra à edificação. Nos pórticos podia haver quartos para sacerdotes, viúvas ou virgens, lugares de reunião e catequese e, ás vezes, o batistério. Lá ficavam os catecúmenos que não entravam para a missa e os que estavam fazendo penitência pública. Normalmente o átrio fica antes da igreja, mas há exemplos de átrios laterais. Em um lado oposto à entrada, o átrio dá passagem ao: NARTEX: espaço coberto intermediário que facilita o recolhimento, isolamento e quietude – antes de ingressar na: NAVE: forma o corpo central da basílica. É o lugar destinado a acolher o povo e a schola cantorum – a agrupação do coro, que acompanha as ações litúrgicas mais solenes. A divisão em naves foi necessária por causa do problema da iluminação.
Normalmente são cinco naves e não mais, por causa da iluminação. Ainda que, na África, ao substituir-se o telhado por terraço e diminuir assim a importância do problema, existem basílicas de nove naves, sendo muito raras as de sete. A nave central costuma ter o dobro da largura das naves laterais. Pode haver tribunas, corredores superiores nas 2as. e 3as. naves. A cabeceira destas naves se abre ao: TRANSEPTO (trans-septa – o que fecha) – espaço transversal entre a cabeceira e as naves, origina a chamada “planta de cruz latina”, própria do ocidente. Lugar do altar e das sacristias (pastoforios) -, que fica rematado pela: ÁBSIDE, ou presbitério, lugar reservado aos presbíteros e oficiantes e mais elevado em relação à nave, por motivos de visibilidade. Muito frequentemente é fechado por cancelas. É onde se situa a CÁTEDRA - trono solene para o bispo – e o altar no caso de não haver no transepto.